sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Vocabulário

Age – Ação de erguer, levantar
Ai hanmi – Posição relativa de dois praticantes, com a mesma perna à frente
Aikido – Literalmente: via da harmonização da energia
Ashi – Perna, pé
Ashi barai – Varrimento com o pé
Atama – Cabeça
Atemi – Batimento
Awase – Combinação, junção, harmonização
Ayumi – Andamento
Barai – Varrimento
Bo – Pau longo
Bojutsu – Técnicas de bastão
Bokken – Sabre de madeira
Bu, Bushi – Guerreiro
Budo – Caminho do guerreiro, artes marciais
Chi – Palavra chinesa para energia vital, o mesmo que “Ki”.
Chudan – Nível médio (do pescoço até à cintura)
Dachi – Posição
Dai – Grande
Dan – Nível, grau ( faixa preta )
Do – Via, caminho
Dojo – Local de treino de Budo
Embusen – Diagrama de uma kata
Empi – Cotovelo, o mesmo que “hiji”
Fumi – Esmagar
Gedan – Nível baixo (da cintura para baixo)
Geri – chute
Gi – Fato para a prática de Budo composto de Uwagi (casaco), Zubon (calça) e Obi (cinto)
Go-no-sen – Táctica de deixar o oponente atacar primeiro para contra-atacar
Gyaku – Contrário, inverso
Hajime – Iniciar, começar
Happo – Oito direções
Hara – Abdômen
Heiko – Paralelo
Henka – Mudança (de posição)
Hidari – Esquerda
Hiji – Cotovelo
Hiki-te – Recuo do punho até o quadril
Hiza – Joelho
Ho – Direção, sentido
Ho – Método
Ippon – Um (ponto, passo, ataque, etc.)
Ippon-kumite – Exercícios com parceiro com 1 ataque 1 defesa
Irimi – Movimento de entrada (no círculo do adversário)
Jitsu (jutsu) – Técnica
Jiyu – Livre
Jiyu-ippon-kumite – Combate livre (controlado) com um só ataque
Jiyu-kumite – Exercícios controlados com parceiro em que as formas de combate são livres
Jo – Alto
Jodan – Nível alto (do pescoço para cima)
Joseki – Lado superior, lugar de honra no Dojo.
Ju – Suavidade, suave
Judo – Caminho da suavidade
Ju-kumite – Combate em suavidade
Kagi, Kake – Gancho, enganchar
Kaisho-waza – Técnicas com mão aberta
Kakato – Calcanhar
Kamae – Posição de defesa
Kamaete – Ordem para tomar a posição
Kara – Vazio
Karada – Corpo, o mesmo que “tai”
Karate-do – Caminho das mãos vazias
Kata – Forma de treino, com ou sem parceiro, com seqüências de técnicas predeterminadas
Katana – Espada
Keage – Movimento ascendente rápido
Keiko – Treino
Kekomi – Movimento penetrante
Ken – Sabre, espada
Kendo – Arte da esgrima japonesa
Keri (Geri, em composição) – chute
Ki – Energia, força vital, espírito
Kiai – Exteriorização da energia através de grito
Kihon – Técnicas de base
Kime – Concentração de energia física e mental, decisão
Kiritsu – Levantar
Ko – Pequeno, posterior
Kohai – Praticante mais novo, o contrário de Sempai
Kokoro – Espírito, coração
Kokyu – Força respiratória
Koshi (goshi, em composição) - quadril
Kote – Pulso
Kumite – Combate
Kuzushi – Desequilíbrio
Kyu – Grau de aluno
Kyusho – Pontos vitais
Maai – Distância correta
Mae – Frente
Maki – Enrolar
Makiwara – Alvo tradicionalmente de palha enrolada para treino de Karate-do ou Kyudo
Mawashi – Movimento circular
Midale – Método de treino de Karate-do que consiste em ataques e esquivas contínuas
Migi – Direita
Mokuso – Literalmente: não pensar. Atitude de concentração executada durante o cerimonial de início e final da prática de Budo
Morote – Ambas as mãos
Neko – Gato
Nobashi – Extensão, ação de esticar
Nukite – Ataque com os dedos juntos e esticados
O – Grande
Okuri – Deslizar
Osae – Imobilização
Otagai-ni-rei – Saudação mútua
Otoshi – Movimento de cima para baixo
Randori – Combate livre
Rei – Saudação
Reigi – Etiqueta, regras de conduta
Ritsu-rei – Saudação de pé
Ryo – Ambos
Ryu – Estilo, escola
Sabaki – Esquiva
Sai – Arma em forma de tridente originária de Okinawa
Samurai – Guerreiro japonês
Sanbon-Kumite – Combate com três ataques
Sasae – Sustentar, suportar
Seiza – Sentar na posição de joelhos
Sempai – Aluno mais graduado, mais antigo
Sen-no-sen – Antecipação
Sensei – Professor
Sensei-ni-rei – Saudação ao professor
Shiho – Quatro direções
Shikko – Andar na posição de joelhos
Shin – Espírito
Shinai – Espada de bambu usada na prática de Kendo
Shisei – Posição, postura
Shizentai – Posição natural do corpo, de pé
Sho – Pequeno
Shomen – De frente
Shomen-ni-rei – Saudação para a parede principal do dojo
Shuto – Sabre da mão (lado do dedo mínimo)
Sokuto – Sabre do pé, lado do dedo mínimo
Soto – Exterior
Tai – corpo, o mesmo que “karada”
Tai-sabaki – Esquiva do corpo
Tanto – Punhal
Tate – Vertical
Te – Mão
Tettsui – Parte lateral exterior do punho
To – Distante, longe
Tobi – Saltar
Tokui – Mais forte
Tokui-waza – Técnica mais forte, favorita
Tomoe – Circular
Tori – O que ataca, o que executa
Tsuki – Soco, murro
Uchi – Interior
Ude – Braço, antebraço
Uke – O atacante, na prática a dois; o que executa a queda
Ukemi – Queda, enrolamento
Ura – Movimento realizado rodando; as costas do adversário
Uraken – Costas da mão
Ura-mawashi – Pontapé circular para trás
Ushiro – Atrás, para trás
Wakizashi – Espada mais curta
Waza – Técnica
Yakosoku – Combinado, sem resistência
Yame – Parar
Yasume – Ordem de descontrair
Yoi – Ordem de atenção, preparar
Yoko – de lado, lateral
Zanshin – Atitude de concentração
Zen – Frente
Zen – Disciplina japonesa, uma das correntes do Budismo.

Katas




As técnicas do estilo são aperfeiçoadas através do treino de kihon (exercícios fundamentais), kata (exercícios formais) e kumite (luta), incorporando princípios filosóficos, tanto na teoria quanto na prática.
Há, ao todo, 21 kata, aprendidos pelos praticantes do estilo nesta ordem:

01- Naihanchi Shodan
02- Fukyu-gata Dai Ichi
03- Naihanchi Nidan
04- Naihanchi Sandan
05- Fukyu-gata Dai Ni
06- Pinan Shodan
07- Pinan Nidan
08- Pinan Sandan
09- Pinan Yondan
10- Pinan Godan
11- Itosu no Passai
(anteriormente denominado Passai Sho)
12- Kusanku Sho
13- Matsumura no Passai
(anteriormente denominado Passai Dai)
14- Kusanku Dai
15- Chinto
16- Jion
17- Gojushi-ho
18- Teesho
19- Koryu Passai
20- Unshu
21- Ryuko

Ao chegar ao 5º DAN, o karateca do estilo Shorin-ryu deve saber fazer e demonstrar com maestria as técnicas contidas nestes 21 Kata.

Shorin-ryu (estilo da pequena floresta)

O Shuri-te

Entre os mais famosos mestres do Shuri-te estão Yasutsune Anko Itosu (1832-1915), Anko Azato (1827-1906), Chomo Hanashiro (1869-1945), Chotoku Kyan (1870-1945), etc. Os seus alunos viraram mestres e criaram alguns dos conhecidos estilos atuais. Este ramo do Karate-do foi originariamente denominado Shorin-Ryu (sendo que “Shorin” é a pronuncia japonesa de “Shaolin”) e dividiu-se em três estilos principais chamados Kobayashi-Ryu, Shobayashi-Ryu e Matsubayashi-Ryu.

Alguns dos mais conhecidos mestres deste ramo do Karate-do são:

Chosin Chibana (1885-1969): continuou a linha de Shorin-Ryu do mestre Itosu chamando-a Kobayashi-Ryu (Shorin-Ryu). Depois da sua morte Katsuya Miyahira liderou o Shorin-Ryu Shido-kan e Shugoro Nakazato (1921-) o Shorin-Ryu Shorin-kan.

Gichin Funakoshi (1868-1957): aluno dos mestres Azato e Itosu e também do mestre Matsumura e outros mestres. É um dos responsáveis da difusão do Shuri-te no Japão. Apesar de não querer dar nome ao seu estilo, este ficou conhecido como Shotokan, um dos estilos mais difundidos hoje em dia. Entre seu alunos destacaram-se Shigeru Egami (1912-1981, Shotokai), Masatoshi Nakayama (1913-1987, NKK), Hidetaka Nishiyama (1928-2009, ITKF) e Hirokazu Kanazawa (1931-, SKIF).

Kenwa Mabuni (1889-1952): um dos melhores alunos do mestre Itosu. Também foi aluno do mestres Higashionna e Miyagui do Naha-te . Mudou-se para o Japão para ensinar Karate-do do estilo que primeiramente chamou Itosu-Kai até que em 1937 criou o estilo Shito-Ryu , que combina aspectos do Shuri-te e do Naha-te. O nome do seu estilo deriva da leitura alternativa dos caracteres (kanji) dos nomes dos seus dois mestres Itosu e Higashionna. Após a sua morte, seu filho Kenei herdou o Shito-Ryu e seu aluno Ryusho Sakagami continuou o Itosu-Kai Shito-Ryu.


Shoshin Nagamine (1903-1997): aluno dos mestres Ankichi Arakaki, C. Motobu, C. Kyan (Tomari) e Y. Itosu (Shuri), foi o fundador do Matsubayashi-Ryu. Seu sucessor foi seu filho Takayoshi. Junto com o mestre C. Miyagui criariam dois Fukyu-Kata, Kata comum às duas linhas de Karate-do (Shorin e Shorei).

Escola(Ryu) Shorin de Karate-do

A Escola(ryu) Shorin do Karate-do de Okinawa é Karate tradicional e ortodoxo descendente do Shuri-te.

A escola Shorin é a arte marcial mais antiga que se desenvolveu no intercambio cultural entre a Dinastia de Ryukyu e as dinastias da China e, “kata” básico da escola shorin “Naihanchi” que conserva nitidamente as caracteristicas de Hokuha Sorin (Shaolin do norte), arte chinesa que objetiva, principalmente, a ofensiva e defensiva montado a cavalo.

Como as características do Estilo Shorin, temos os seguintes pontos principais:

O método de respiração é com postura natural sem mostrar “suki” (momento instantâneo de desatenção, desproteção, descuido, imprudência, precipitação,etc ) e/ou “iro”( cor ou fisionomia do rosto) ao adversário e é importante dar um movimento rápido com inteligência. Portanto, não pode alterar a cor do rosto e, a respiração e inspiração não podem ser percebidas pelo adversário.

A aplicação da Força é de dentro pra fora e é importante concentrar a força instantaneamente. Portanto, apesar de que a linha de “enbu” (movimento das partes do corpo durante o exercício de arte marcial) seja reta, para o ataque e a defesa são exigidas agilidade aproveitando o movimento circular e, eles devem ser reunidos em um só movimento com rapidez e inteligência.

No estilo Shorin, por causa das suas características, há muito mais pessoas de vida longa , e nas épocas em que se dizia que a vida do homem era de cinqüenta anos, os mestres terminavam a vida com mais de oitenta anos. Este fato ratifica que esse estilo de arte marcial é a mais apropriada também para saúde .

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O Karate-do no Japão

O Karate foi introduzido no Japão na década de 1920 e sofreu algumas modificações. Como foi dito anteriormente, o significado do ideograma (símbolo da escrita japonesa) Kara significava “Chinesa” e devido ao Japão e a China haverem entrado em guerra muitas vezes ao longo da história, inclusive poucos anos antes da entrada do Karate nas ilhas centrais, os japoneses não iriam aceitar essa arte no seu país. Além disso, o Karate não tinha, até então, um método de ensino formal e padrão, sendo ensinado por cada mestre segundo o seu gosto particular, nem mesmo havia um uniforme (gui) especial como os das outras artes marciais japonesas como o Kendo e o Judo, por exemplo. Tudo isso exigiu mudanças para que esta arte okinawense pudesse ser aceita pela sociedade e a cultura japonesa.

Funakoshi propõe a alteração de To-de para Karatê-Do (o caminho das mãos vazias) na sua obra: “O texto do Mestre” (karaté-do Kyohan).

O passo seguinte foi a adoção do karate-gui ("kimono") branco, um uniforme igual para todos, e o sistema de faixas e graduações de Kyu (faixas coloridas, da branca até a marrom) e níveis de Dan (do 1° ao 10° para os faixas-pretas) similar ao que era usado no Judo.

No ano de 1933, o Dai Nippon Butokukai, órgão japonês encarregado das artes marciais, reconheceu oficialmente o Karate-do como arte marcial.

Posteriormente, no Japão, foram criados outros estilos de Karate-do, alguns dos quais são muito conhecidos no mundo todo:

· O mestre Hironori Ohtsuka (1892-1982) era praticante avançado de Ju-jutsu e aprendeu Karate-do com o mestre Funakoshi, quando este o introduziu no Japão, e posteriormente com o Mestre K. Mabuni. No ano de 1931, o mestre Ohtsuka decidiu fundar seu estilo chamando-o Wado-Ryu, sendo o primeiro japonês (não okinawense) a criar um estilo de Karate-do.

· Gogen Yamaguchi (1909-1989), previamente praticante de Kendo e outras artes marciais japonesas, aprendeu Goju-Ryu com Jitsuei Yogi e com o mestre Miyagui, quando este visitou o Japão central. Foi o criador da linha Goju-Kai no Japão.

· Matsutatsu Oyama (1924-1994), nasceu na Coréia e seu verdadeiro nome era Hyung Yee. Quando criança, no seu país natal, aprendeu Chabee (uma combinação coreana de Ju-jutsu e Kempo). Depois, aprendeu Karate-do Shotokan no Japão mas buscou novas formas de treinamento e de luta criando em 1961 o Kyokushin-Kai . Também teve a oportunidade de aprender e intercambiar técnicas com Gogen Yamaguchi e outros mestres de Karate-do e Kung-fu .

Origem do Karatê-do

Karate-do, arte marcial oknawense, tem sua origem no século V em um mosteiro indiano. Conta-se que os monges, sem qualquer preparo físico, eram constantemente saqueados e mortos por bandidos e ladrões; buscando defesa, os religiosos preparam um intenso treinamento físico e, baseando-se em técnicas de luta indianas e de outros povos e observando movimentos de animais, criaram uma seqüência de dezoito movimentos. O monge Zen-Budista Bodhidharma (chamado Tamo pelos chineses e Daruma pelos japoneses) viajou da Índia à China para ensinar o budismo aos monges chineses no templo de Shao-Lin-Su, onde, necessitados de algo para fortalecer os seus corpos fragilizados pela meditação intensa, dedicaram-se ao aprendizado dos dezoito movimentos trazidos por Bodhidharma. Essa técnica logo se difundiu pela China e foi, aos poucos, sendo testada, aplicada e complementada por novos mestres, dando assim, origem ao Kempo Shaolin, também chamado de Kung-fu.

Estas Técnicas foram aos poucos sendo passadas da China para outros países asiáticos e influenciaram a suas respectivas artes marciais. Em Okinawa o kempo foi misturado com a Okinawa-te (arte marcial nativa) originando o nosso karate-do.

Okinawa é a principal ilha do arquipélago RyuKyu, formado aproximadamente por 70 ilhas, localizado entre a ilha de Taiwan e o Japão. Okinawa pertence hoje ao Japão, mas antigamente Okinawa (Ryukyu) se subdividia em três : “Hoku San”, “Chu San” e “Nan San” e cada uma formava um governo autônomo, mas em 1429 foram unificadas pelo Rei ShoShin de “Chu San” em um só Reino de Ryukyu e, o governo com finalidade de preservar a estabilidade do Reino por longo tempo, adotou a política de proibição da posse de armas, na época do Rei ShoShin. Esta proibição proporcionou um grande desenvolvimento do “te” e também do kobudo (usando utensílios de pesca, agricultura e da vida cotidiana para combate).

Entre os séculos 14 e 15, na “Era dourada do Comércio”, Okinawa se transformou num grande centro de comércio entre a China e os países Sudeste Asiático. Em conseqüência, as relações diplomáticas, culturais e comerciais se estreitaram entre Okinawa e os países do Sudeste Asiático principalmente a China e graças ao fluxo de pessoas (monges, soldados, comerciantes e imigrantes) e de cultura entre Okinawa e a China, o Okinawa-te foi enriquecido pela arte marcial chinesa (chugoku kempo) e outras artes marciais vindas do exterior, como a de Taiwan. Desta forma a arte de luta foi transformada e começou a ser chamada de To-de ou To-te. A palavra “To” representava primeiro a dinastia Tang, da China, e posteriormente passou a representar a própria China; To-de significava, então, “mão chinesa” devido à grande influência do Kempo sobre esta arte marcial okinawense (Okinawa-te).

Em 1609, na invasão de Okinawa pelo Japão (clã Satsuma), além de diversas condições como um imposto de arroz, foram proibidos o uso e a posse de armas. Aqueles que fossem encontrados portando armas seriam executados. Isso causou um fator inevitável para o desenvolvimento de “te” (karatê) como arte de defesa pessoal.


Por muitos anos os Okinawenses cumpriram religiosamente os termos do acordo. Ninguém andava armado, mas se iniciou a prática de uma forma de luta sem o uso de armas de qualquer espécie. Isso porque o senhor de Okinawa, vendo seu povo indefeso começou a enviar membros de sua confiança à China, onde sabia existir diversas formas de luta com mãos vazias. E aos poucos o Karatê foi se formando; a arma era o próprio corpo do lutador, e isso não contrariava de forma alguma os termos da rendição.


Pela conversa dos anciãos, os samurais de Okinawa (praticantes de karatê) se escondiam dos olhares de outras pessoas durante o dia e, treinavam à noite secretamente, longe de lugares habitados, dentro de matas, de montanhas, para aumentar seus golpes de punhos, tendo como parceiro de treinamento a natureza, tais como árvores e rochas.


Com a tradição de várias épocas, os samurais de Okinawa acrescentaram à capacidade de “te” os elementos espirituais como boas maneiras de conduta e educação, se esforçando para o estabelecimento do caminho da arte marcial “Budo”, e o desenvolvimento para o atual “karate-do”.


Um dos principais mestres conhecidos dessa forma de luta com mão vazia foi Shugo Sakugawa, que viveu entre 1733 e 1815, e que obteve grande parte de sua formação de um monge chamado Peichin Takahara. Sakugawa teria ensinado seu estilo a Sokon Matsumura, um dos maiores mestres que já existiram.

Sokon Matsumura

Três principais centros de treinamento cresceram em Okinawa, no decorrer do século XVIII; um deles situava-se na antiga capital, chamada Shuri onde a realeza e os nobres viviam; outro em Naha, uma cidade portuária. A partir daí cada uma dessas cidades passou a desenvolver seu próprio estilo, distinto dos demais. Cada “estilo” adotou o nome da cidade onde estava sendo desenvolvido. Assim surgiram o Shuri-te , o Naha-te e o Tomari-te.

Shuri-te


Por ser ensinado na cidade de Shuri, o estilo Te de Sakugawa ficou conhecido como Shuri-te. Sokugawa tinha quase 70 anos quando um jovem chamado Sokon Matsumura começou a treinar com ele. Matsumura revelou-se o melhor aluno que Sakugawa já produzira, e depois da morte deste, tornou-se um dos mais proeminentes instrutores do Shuri-te. Foi uma influência que deu ensejo ao surgimento da maioria dos diferentes estilos de Karatê praticados hoje.

Tomari-te


Tomari localizava-se próximo à pequena aldeia de Kumessura, habitada por milhares de militares que possuíam habilidades em várias artes de combate. Entre essas habilidades incluíam-se as artes "externas", advindas dos templos Shaolin e os sistemas "internos" que traçavam sua origem em outros locais.

Enquanto o Shuri-te foi influenciado quase que exclusivamente pelo estilo mais duro (Shaolin externo), o Tomari-te incluía uma mistura de sistemas internos e externos.

Um dos primeiros mestres reconhecidos em Tomari-te foi Kosaku Matsumura, que ensinou o estilo com o máximo de sigilo. Assim, somente uns poucos alunos de Matsumura conseguiam se tornar proeminentes o suficiente para passar o estilo adiante. Outro importante instrutor de Tomari-te foi Kokan Oyadomari, cujo motivo para fama foi ter sido o primeiro instrutor do grande Chotoku Kyan.

Naha-te


Dos três principais estilos de Okinawa da época, o Naha-te foi o que mais influenciou e recebeu influência dos sistemas internos da China, e o que menor contato teve com a tradição externa Shaolin.

O maior mestre de Naha-te foi Kanryo Higashiona. Há evidências de que Higashiona tivesse tido lições de Matsumura (shuri-te), mas por curto período de tempo. Higashiona era ainda bem jovem quando se mudou para a China, onde permaneceu por muitos anos. Quando retornou à Naha, abriu uma escola que enfatizava técnicas respiratórias dos estilos chineses. Higashiona teve muitos alunos que acabaram por se tornar famosos por seus próprios esforços e por seus próprios méritos, como Chojun Miyagui e Kenwa Nabuni. Com o passar dos anos o Shuri-te e o Tomari-te evoluíram no estilo Shorin Ryu.


O Shuri-te era um estilo considerado como derivado do “Shaolin externo”, bastante explosivo e rápido. O Naha-te era um estilo forte e enfatizava a respiração e, como tal, foi descrito como “Shaolin interno”.


O “Shuri-te” era chamado de escola Shorin (versão japonesa da palavra Shaolin) e “Naha-te” de escola “Shorei”. Na época de seus melhores discípulos, a escola “Shorin” (mata luminosa) foi denominada de escola “Shorin” (mata pequena) pelo professor Choshin Chibana (falecido) e a escola “Shorei” denominada “Goju” pelo professor Chojun Miyagui (falecido) e assim continua até hoje.


Foi na época de Matsumura que “Shuri-te” e “Tomari-te” se mesclaram num só estilo. Um dos maiores expoentes do recém formado estilo foi Yatsutsume (Anko Itoso), que também foi um dos melhores alunos de Matsumura.

Anko Itosu

Choshin Chibana

Fonte: trabalho do colega João Luiz Vilar

domingo, 1 de novembro de 2009

Significado de "Karate-do"

Os Kanji's (ideogramas) podem ser lidos de duas maneiras: “kun” (pronuncia chinesa) e “un” (pronuncia japonesa). No início o karatê era chamado de karate-jutsu (pronuncia japonesa) ou tode-jutsu (pronuncia chinesa) com o significado de técnica (jutsu) da Mão (te) Chinesa (Kara ou to). Quando o Karatê foi introduzido no Japão na década de 1920 sofreu algumas modificações devido à rivalidade histórica entre Japão e a China.


Existe outro ideograma com a mesma pronuncia “Kara” do Karatê, mas com outro significado que não “chinesa”. Este outro ideograma tem origem no termo Sunya ou Sunyata do sânscrito que significa “zero”, “vazio”, e é muito usado na tradição Zen-Budista com esse significado.

Vários mestres, querendo introduzir o Karate-do no Japão, decidiram adotar esse outro símbolo e também trocar a expressão “jutsu” (técnica ou arte) por “do” que deriva da palavra chinesa “tao” (via, caminho). Este nome pareceu, então, apropriado já que descreve uma arte de luta sem armas e também duas características importantes do Zen-Budismo: a “mente vazia” (sem preocupações, ódio, inveja ou desejo) e o “caminho”, a “via” que devemos transitar para chegar à iluminação.


(Tode-Jutsu ou
Karate-Jutsu)

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(Karate-do)

 

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